Esses trecos estão no banheiro do trabalho há 3 dias. O pessoal da limpeza passa lá duas vezes ao dia (pelo menos), o que me faz concluir que eles já conhecem esse tipo de macumba e sabem melhor que ninguém que não se deve tocar em nada!
Resta saber que orixá está precisando de um tratamento dentário. Tem orixá inglês?
Sexta-feira, duas da manhã... meu teclado sofreu um derrame, esquece alguma letras, repete outras de graça. Tento escrever alguma coisa, mas me sobram neurônios. Queria agora em minha cabeça um ladrão que jorrasse neurônios sarjeta afora. Ratos que bebessem meu sangue teriam filhotes mutantes? Queria agora em minha cabeça um ladrão que me roubasse as idéias e desse aos pobres de espírito. Só me vêm os versos quando deles esqueço. As idéias eu invento por que não as tenho de verdade. Queria agora um ladrão que me roubasse as idéias e entregasse aos meus dedos no teclado.
Vejo uma menina ao vento. Folhas de outono em seu cabelo. Vejo aterrorizado a cara da Morte, saltando de um galho de árvore. Voa sobre mim em coreografias chinesas com seu cajado sob o braço. Pousa junto à menina. Beija-lhe a face rosada. A Morte cai ao chão. A menina agora voa e pousa no galho da Morte. Viro novamente em direção à Morte, caída na calçada. Já não está lá, aonde foi? Olho em volta e para o alto. A menina ri de mim. Sua face, agora escarlate, lembra um acidente de moto. Sem capacete. Escárnio, escárnio. No fim é só o que eu vejo. Escárnio da morte que sei que me ronda ainda. Escárnio da menina que vence a morte e que, não sei como, sabe tudo e que tudo eu temo.
Agora falo a verdade. Senti o cheiro da morte há um segundo. Cheiro de flor barata. Margarida? Não tive medo, acho que estou sonolento.
Há vinte anos eu ganhava o pior presente de Natal da minha vida
Verdade seja dita, jamais ganhei presentes mirabolantes, coisas que me fizessem dizer "Uau! Supimpa!!!" ao abrir os pacotes. Sempre foi coisa simples. Acho que o único presente que me fez pular de alegria foi um Trovão Azul que ganhei quando tinha uns 8, 9 anos. Ou foi o Alquimia, um super estojo com bisnagas cheias de substâncias para experiências "científicas". Acho que vem daí meu gosto por rótulos de xampu. E por substâncias.
Falo isso porque o pior presente também não foi nada horrível, que me deixasse mal, coisa assim. Foi um livro de educação sexual. Eu tinha 11 anos e minha irmã deve ter achado aquilo uma boa idéia, dado que em casa não se falava sobre esses assuntos "complicados". Na época não me toquei (sem trocadilho) que aquilo podia deixar uma pessoa bem embaraçada. Até desdenhei, disse que já sabia tudo aquilo que estava escrito ali. E de certa forma não era mentira. Claro que não sabia como era na prática, mas as revistas Capricho e afins que minha irmã deixava no banheiro já me tinham enriquecido razoavelmente os conhecimentos reprodutivos. Além de serem um bom material masturbatório. Àquela altura eu também já tinha tido um par de oportunidades de pôr a teoria em prática, o que só não aconteceu porque eu era muito burro. Muito burro mesmo... Burro demais... Até hoje não me perdôo por ter perdido aquelas chances. Burro! Burro! Burro!!!
O livro foi lido em 5 minutos. Era cheio de ilustrações e tinha pouquíssimo texto. Fico até pensando se não se tratava de uma bizarra edição de educação sexual para crianças. Um pré-adolescente (como eu era) já dava conta de ler um texto bem mais detalhado que aquilo. O "enredo" envolvia um menino de 11 anos (que coincidência!) que chegava a uma fazenda e, logo de cara, flagrava um galo montado em uma galinha, arrancando-lhe as penas e a virtude. O idiotinha pega então um pedaço de pau e tenta impedir que o galo continue a dar bicadas na cabeça da pobre coitada (ou não), mas é impedido pelo tio, que passa a lhe explicar que aquilo é muito natural, todo mundo faz. O livro evolui então para ovelhas, cabras e, salvo engano, melancias mornas. Não há menção sobre patos. Tudo isso muito mal ilustrado, claro. Quando chega-se, enfim, à parte sobre sexo entre humanos, imagino que o autor acreditava que já não havia muito mais a esclarecer. Bastou então incluir a ilustração da relação sexual entre humanos: homem e mulher deitados em uma cama, lado a lado, cobertos até o pescoço, um olhando para outro. Deviam ser americanos.
Imaginando um final mais elaborado e adequado ao enredo, daria para concluir com o menino descobrindo que sexo entre humanos é uma coisa normal, até bacana, vai saber, mas que o legal mesmo é quando ele é feito de quatro, com animais, e que bicar ou morder a cabeça da parceira é super natural. Nenhum feito pelo qual Xico Sá já não se tenha jactado, portanto. A obra, porém, deixa o final em aberto, sem tampouco explicitar o que se vê facilmente nas entrelinhas, nas quais rola um espécie de versão homossexual de Tieta do Agreste entre o tio e o menino.
Essa última parte eu só fui perceber depois de velho, que fique claro.
Esse livro por alguns anos se recusou a desaparecer da magra estante da minha casa, até que uma mudança ou arrumação da vida deu-lhe um fim. Juro que desconheço qual foi. Como eu disse, o presente foi ruim, mas só percebi anos depois. Soubesse eu à época da obra tosca que tinha em mãos, teria-lhe cuidado melhor.
Parece que o negócio é sério. Enterite não é brincadeira. Mas, vendo pelo lado positivo, podia ser bem pior... O vice-presidente já estaria morto se estivesse com control+alt+delite ou shiftite.
Agora eu sei como se sente um repórter ao ver seu texto estraçalhado por um editor burro. Poucas coisas são piores do que ter um texto seu "corrigido" por um semi-analfabeto.
Enviei um texto a uma colega para ela encaminhar pelos meios oficiais a outras pessoas. O que era assim:
Amanhã o Fulando estará na empresa e irá validar os archives e posteriormente irá solicitar ao Sicrando a interrupção da execução do agente caso não existam mais documentos a serem arquivados ou se ainda houver documentos para arquivamento mas já estiver próximo do horário da execução do agente Limpar Archive.
..."corrigido" e enviado às pessoas que eu pedi, ficou assim:
Amanhã o Fulando estará na empresa e irá validar os archives e posteriormente irá solicitar ao Sicrando a interrupção da execução do agente caso não existam mais documentos a serem arquivados ou, se ainda houverem documentos para arquivamento mas já estiver próximo do horário da execução do agente Limpar Archive.
E agora lembrei que essa não é a primeira vez que escrevo sobre isso aqui. Já tive outros problemas com o verbo haver e pessoas que não sabem usá-lo, e também foi por emails do trabalho. Sei que isso está registrado em algum post no blog. Só não sei qual e agora estou com preguiça de procurar.
Animais com nomes onomatopéicos. Me peguei pensando nisso outro dia. Concluí que a arara, apesar do grito sem graça, é a campeã. Só porque é a que tem a melhor dicção. Fala direitinho o próprio nome.
Já o bem-te-vi é dos mais bacanas. É um canto mesmo, não é o berro da arara. E vai longe. Mas não leva o título porque, sejamos francos, não há nada ali que lembre as palavras "bem" "te" e "vi". Podia muito bem se chamar me-fodi ou te-comi ou fiz-pipi que ia ser a mesmíssima coisa.
Nunca vi papagaio dizer "papagaio!", mas se eu vir dou o título a ele na hora.
Tentei lembrar de outros, mas não deu tempo, com um assunto assim tão importante não resisti 5 minutos e dormi. Ainda bem que estava na cama.
Nessa de ser promovido tive que começar a chegar cedo no trabalho. O problema é que continuo com amigos dimônios que chamam pra ir beber e falar e curtir e me levam a passar a noite em claro.
Uma coisa que não funciona pra mim é aquela história de aparecer um anjinho e um diabinho toda vez que a gente fica tentado a fazer algo que não deve. Meu diabinho comeu o anjinho com farinha. O coitado ficou todo assado. Junte amigos dimônios e um anjinho passivo e o resultado é que há uns 15 minutos eu estava aqui no trabalho sonhando acordado. Literalmente. O sono era tanto que dormi com os olhos abertos e me peguei escrevendo um monte de merda num email que estava escrevendo.
E saiu o bendito veredito. Vou ser OCO, não teve jeito... Hoje já comecei a "absorção de conhecimento". Até quinta-feira que vem, quando o OCO atual sair, será assim todos os dias... sentado ao lado dele, aprendendo tudo o que puder. E ainda terei que fazer hora extra...
E depois não sei mais o que virá. O aumento no sálario é bem bom, quase 25%, mas quanto disso se refletirá em aumento da carga de trabalho, eu não sei. Tampouco sei se vou ter que passar a fazer horário normal, das 9h às 18h. Hoje faço horário do México, das 13h às 21h, o que pra mim é sem dúvida a maior conquista da minha carreira profissional. Sinceramente não sei se acordar cedo valem os 25%... Mas o horário poderia mudar de qualquer forma, então não dava pra fazer muita coisa.
Pelo menos tenho emprego garantido por mais um ano. Se complicar muito posso sempre procurar outra coisa.
E o blog acorda outra vez, agora que posso finalmente postar do trabalho. Em casa tem sempre algo melhor pra fazer e a cadeira me dá dor nas costas.
É essa, então, a explicação para a hibernação deste blog. Não é falta de assunto (às vezes é) nem de tempo, é uma cadeira torta que a preguiça impede de ser substituída.
No trabalho há muito sossego. Até demais. Nos últimos meses a carga caiu muito. Recentemente passei a ler a Wikipedia para passar o tempo até dar as 8 horas regulamentares. Só a FOL, G1 e Folha impressa não são mais suficientes. Já sei tudo sobre o cerco a Stalingrado, sobre o New Deal americano, sobre a população de Nunavut...
E agora posso escrever aqui o quanto quiser.
Mas no trabalho as coisas estão mudando. Justamente pela falta do que fazer. Éramos cinco pessoas quando cheguei. Somos três agora e dois estão de saída. Vão ser substituídos, mas sobrou pra mim o papel de O Cara. Só que nem sei se quero ser. Tenho que decidir. Posso ser OCO (O Cara Oficial) ou posso ser um intermediário, entre OQN (O Quase Nada) que sou hoje e O Cara.
Na verdade já decidi. O patrão sentado à minha frente... opções dadas... e eu tenho que responder ali, na hora. Tento enrolar o quanto posso, faço rodeios, mudo de assunto... Digo que ia ser legal ser OCO... Digo que tudo bem se não for... Mas no final acabo dizendo que aceito ser OCO, com o complemento "mas tudo bem também se não for"... Agora está nas mãos da chefe. Ou ela topa que eu seja OCO ou me bota como intermediário.
Acho que prefiro o intermediário. Tem mais a ver comigo... sem grandes pretensões, só querendo sossego.
Mas e se me aceitam como OCO? Tô fodido! Por que eu não falei logo de cara que intermediário estava de bom tamanho? De uma forma ou de outra o salário aumenta.
Vendo documentário sobre o governo Nixon e o DEA - Drug Enforcement Administration... Fico pensando na quantidade de doidões que ia adorar uma agência dessa por aqui... "Pô, esse bagulho tá muito fraco... Tem que dar uma reforçada! Manda pro DEA!"
O povão está comendo mais e os supermercados pipocam pela cidade. Mas tem uma coisa muito estranha com esse novos mercados. Eles não têm porta da frente. Não dá pra ver nada lá dentro. Quem chega pensa que está entrando numa loja maçônica! Deve haver algum motivo pra isso, só não sei ainda qual é.
Pra não deixar o blog morrer... Livros lidos em 2007:
Do Contrato Social - Jean-Jaques Rousseau Chutando a Escada - Ha Joon chang Hamlet - William Shakespeare A Revolução dos Bichos - George Orwell A Metamorfose - Franz Kafka (relido) Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Márquez O Fim da Infância - Arthur C. Clarke (relido) Ernesto Geisel - Maria Celina de Araújo e Celso Castro Os Clássicos da Política - Francisco Weffort (relido) Uma Breve História do Tempo - Stephen Hawking O Gene Egoísta - Richard Dawkins
Eu sei que deve ser assustador, mas vamos ser sinceros, afundar na Antarctica deve ser o sonho de muita gente! Vá lá que Antarctica dá dor de barriga, mas antes isso do que afundar em Malta ou na Bavária. E estava estupidamente gelada...
A cada seis meses surge algum produto revolucionário que promete transformar tudo que havia até então em peça de museu. Engraçado que, apesar das novas escovas dentais com freios ABS, dos dentifrícios com micro partículas de diamante, ou das lâminas de barbear Ginsu, as nossas vidas pouco mudaram nesses últimos anos. Meus dentes não viraram marfim e o sangue ainda jorra cada vez que rapo a cara.
Mas eis que agora descubro um produto que vai muito além da função original pela qual é vendido. Algo que de fato supera as expectativas! É DUO, o xampu equilibrante!
Tomou todas? Labirintite? Andou de táxi no Rio? Não se faça de tonto! Use DUO! Indicado por 9 em cada 10 trapezistas!
E depois de ver o vídeo abaixo eu fico pensando em como a vida da família Wallenda seria tão mais fácil com a tecnologia capilar de hoje em dia...
Vendo a cidade passar pela janela do ônibus... Passa um utilitário esportivo com um adesivo na janela traseira: "Deus é tremendo". E eu penso que melhor seria "Deus está tremendo". Mas aí na hora me dá vontade de ter um carro. Só para poder colocar um adesivão assim:
GOD IS MY BITCH
Já tinha essa idéia antes, do adesivo, mas com outras mensagens. Tipo "O Senhor é meu fornecedor, nada me faltará" ou "Deus é fiel, eu sou trouxa". Mas agora quero esse em inglês mesmo. É melhor que limita a abrangência dos que realmente entendem a mensagem. Reduz as chances de ter o carro todo arranhado por um crente nervosinho...
E eu, que não queria festa nem nada, acabei tendo uma das melhores das quais participei, bem aqui na minha casa. Como sempre a coisa durou horas e horas e só acabou com o sol a pino. Mas dessa vez valeu cada minuto. É muito bom passar o tempo com tanta gente bacana. Adorei a companhia de todos.
E a melhor surpresa ficou para o final. Minutos depois que os últimos se foram, estou eu na cozinha dando uma ajeitada nas coisas, quando me a aparece a Ana, nossa empregada! Em pleno sábado, lá foi ela dar uma geral no apê. A Dani tinha combinado tudo e eu nem sabia! Ainda bem que estava devidamente vestido...
Após hiato médico de mais de 15 anos, voltei enfim a consultar um clínico geral na noite de ontem. Hora marcada: 18h40m; atendimento: 20h30m! Pelo menos era ao lado de casa e com a desculpa de que eu ia até ali e já voltava consegui ser dispensado de uma espera mais longa. Mas espera houve. E eu que havia esquecido o meu livro na ida "até ali" acabei tendo de assistir a novela das sete na recepção. Parece que a Claudia Raia acabou de inaugurar uma danceteria que é um sucesso, mesmo tocando uma versão fuleira de It's a Sin dos Pet Shop Boys. Ou graças a isso, vai saber.
Já na sala do doutor, peço uma avaliação geral. "Revisão dos 24 mil quilômetros" nas palavras do próprio médico. Por que 24 mil eu só posso imaginar, e por isso mesmo acredito que ele não diria isso se fosse psicanalista. O doutor concorda com os exames, embora se recuse a dar uma olhada em meu nariz avariado ("Não tenho o equipamento...") e negue-se a solicitar outros testes ("Isso é muito específico..."). Depois me aponta o caminho da maca para um exame preliminar. Tira-me a pressão ("Normal"); observa-me a garganta ("Diga 'AAAA'. Não 'ÓÓÓ', 'AAAA'!"); ausculta-me o tórax... ausculta-me o tórax noutro lugar... ausculta aqui... ausculta ali... ausculta... ausculta... E me chama de volta à mesa. "Então, eu reparei que você tem um defeito de fábrica no coração. Chama-se Prolapso de Válvula Mitral (prolapso quer dizer desprendimento, deslocamento). Não precisa se preocupar, mas vou pedir também um outro exame, um ecocardiograma, para confirmar isso."
Certo... certo...
Passo então um bom tempo do dia de hoje pesquisando sobre esse tal Prolapso de Válvula Mitral, problema que até então eu achava só ocorrer em vaso sanitário enguiçado. E o que eu descubro? Segundo estatísticas, cerca de 5% da população mundial tem essa condição, sem necessariamente desenvolver sintomas. Demandar tratamento, então, só em casos muito raros nos quais a falha na válvula provoca o famoso "sopro" no coração. Ou seja... Não é nada demais! É a coisa mais comum! Igual a viado, toda família tem um!